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Origem das Visitas

AROLDO FILHO

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

As Águias

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

DAYMON DELUSION

DAYMON DELUSION
 
Poiesys- Arte de fazer algo bem feito.
 
Poética- Tipo de linguagem com uso coloquial.
 
Poesia- Uso da linguagem poética, em texto, sonoro, visual ou outra forma.
 
Poema- Gênero gramatical. Ex: quadra; soneto; cordel. (Prosa com poesia não é poema e versos sem metrificação também não).
 
Em árabe, poesia é "xir".
 
Muito provavelmente poema e poesia antes eram chamados "trova"; que significa, ao pé da letra, "escrita". Logo, pode ter havido confusão entre escribas e trovadores; entretanto, um trovador, além de escriba, era cantor, geralmente tocando alaúde.
 
Para os celtas, o nome que se dava a escriba e trovador era bardo; que assumia também a função de professor substituto na falta de um druida ou godi.
 
Poesia, música, religião, governo secular e História têm uma forte ligação, uma vez que a História em si era contada pelos poetas antes dos reais historiadores, daí a ser muito mistificada até hoje, uma vez que estes mesmos serviam aos comandantes seculares e religiosos em geral; formulando cultura, documentos e rituais que justificassem o poder através de deuses, heróis e guerras.
 
Na Grécia antiga existia uma palavra que nos foi implantada pelo catolicismo romano sob a forma "demônio", mas, que originalmente é "daymon"; musa sem a qual a poesia não existiria para os gregos.
 
Derivando de demônio, em Roma, Idade Média, surgem "súcobo" e "íncobo"; demônios que baixavam à noite e faziam sexo com quem dormia.
 
1. DAYMON-SÚCOBO (ROMA):
 
Súcobo: demônio feminino que faz sexo com homens para roubar-lhes o esperma que entregavam aos íncobos.
 
A mais famosa súcobo no catolicismo ( que consta em livros apócrifos) e na tradição talmúdica é Lilith, que é a primeira mulher feita do barro que é expulsa do Éden e por insubordinação à Adão e, por isso, seduz os filhos de Adão e Eva.
 
Noutra versão ela vira a cobra falante da maçã; imitação clara da Medusa (rainha das górgonas) que foi transformada em serpente por ser mais bela que Afrodite (Vênus).
 
Lilith também é caracterizada como uma vampira celta que faz sexo com os homens para ganhar energia do calor sexual. A denominação atual de súcobo é justamente essa vampira sexual feminina.
 
2. DAYMON ÍNCOBO (ROMA):
 
Íncobo: demônio masculino que faz sexo com as mulheres e lhes introduz o sêmen roubado pelos súcobos.
 
Na visão de Santo Agostinho era um súcobo que virava macho com a permissão de Deus para poder fazer sexo com as mulheres e gerar esses filhos por inseminação artificial, o que era a causa dos abortos espontâneos por serem filhos ilegítimos.
 
Súcobos e íncobos também poderiam ser anjos que caíam no pecado de fazer sexo com mortais, engravidando dos homens ou engravidando as mulheres; gerando pessoas normais, contudo, amaldiçoadas por que iria contra as determinações de Deus.
 
3. DAYMON SÉFIRO (GRÉCIA):
 
Súcobos e íncobos vêm dos "dusii" celtas; "botua porco" na Samoa; "bhuts" para o hinduísmo; "séfiros" na mitologia grega e "jeanies" ou "ifrits" para os árabes.
 
Os "jeanies" geraram o termo "gênio" ("Jeannie é um gênio") empregada pela religião positivista de Augusto Comte para designar pessoas com uma capacidade intelectual impossível de se alcançar pelos reles mortais (existe ainda hoje uma Igreja Positivista no Rio de Janeiro. A frase "ordem e progresso" vem dessa religião: "o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim")
 
4. DAYMON MUSA (GRÉCIA):
 
Daymons eram musas ou nereides que inspiravam os poetas. Delas, para os gregos, advinha toda a verve poética, principalmente nas quarta-feiras; o dia da poesia.
 
5. DAYMONCRÁCIA (GRÉCIA):
 
Daymon também era o nome do povo mais numeroso, pobre e oprimido da Grécia quando foi criada a democracia, que significa "governo dos demônios" ou mais precisamente "governo dos daymons", que, muito provavelmente, pelas regras da metafonia, deveria ser sonorizada "daymoncrácia".
 
Esse governo foi uma forma de iludir os daymons e foi uma das origens da nossa atual democracia.
 
6. DAYMON ESCRAVOS DOS DEUSES (GRÉCIA):
 
Os deuses gregos tinham um ou mais demônios particulares, que não eram bons nem maus, isso dependia do ânimo do deus a quem serviam. Por exemplo, os daymons de Hades (Plutão) agiam para matar, já que ele precisava de mortos para aumentar seu poder, o que vale para Thanátos e Ares (Marte).
 
7. DAYMON MARE (INGLATERRA):
 
Mare, no Inglês antigo é como se chamavam os íncobos.
 
8. DAYMON NIGHTMARE (INGLATERRA):
 
Nightmare em Inglês antigo era a designação do demônio que senta no peito dos adormecidos, atormentando-os com pesadelos. (Na Grécia era o deus Hipnos quem tecia os pesadelos em um manto. Revesava com Morfeu; um dia sonhos outro pesadelos para a Grécia).
 
9. DAYMON CONHECIMENTO (GRÉCIA):
 
Segundo Carl Sagan, o termo "demônio" (ou demon) em Grego antigo significa "conhecimento". Talvez, daí ser um pecado o fruto do conhecimento.
 
Ainda segundo o astrônomo Sagan, "ciência" em Latim também significa "conhecimento".
 
Santo Agostinho troca o termo de "Demônio" para "Diabo".
 
10. DAYMON FILOSÓFICO (GRÉCIA):
 
Segundo Platão, Sócrates dizia ter um daymon pessoal que lhe dava a inspiração necessária para ser um filósofo.
 
Uma vez que "filo" é "amigo" e "sofia" é "sabedoria", nada melhor que o próprio Conhecimento para guiá-lo, embora que o guiasse somente para paradoxos e dúvidas sem fim.

ATEU POETA, O HISTORIADOR DE PACOTI
16/02/2013
Procure ver:
Livro: "O mundo assombrado pelos demônios" (Carl Sagan)
Série: "Batalha dos deuses" (Discovery Channel)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TUA VOZ


TUA VOZ
A tua voz afaga os sonhos mais profundos
O desejo se propaga
Faz latifúndio
Nesse coração sem leito
Canção de saudade
Nada cala esse silêncio-mortalha
Aqui dentro mora um fogo rarefeito
Meu peito é palha
E o tempo é algoz
O jeito é cantar em poesia
Pois a vida é feroz
É preciso fazer som do que sobra
Apagar a hipérbole da nostalgia
Buscar outra foz
ATEU POETA 
O HISTORIAQDOR DE PACOTI
4/2/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A confissão [1]


A CONFISSÃO [1]
                                                                  
Seguira o ensinamento, matou sem sentir ódio. Por isso se sentia diferente das outras tantas que ocupavam aquela cela.

“Aquelas putas estavam presas pelas infâmias mais desprezíveis. Uma delas tinha deixado o filho de três anos na boca enquanto trepava com o chefão de lá...  Vê se pode! Quando a polícia invadiu o local não deu outra, vadia na cadeia e criança no abrigo. Outra sentiu tanta inveja quando descobriu na gaveta de cuecas o presente caríssimo que o marido comprou para amante que fez do safado pedacinhos, ‘a sala da casa parecia um matadouro de beira de esquina e o meu marido o mais idiota dos touros desossados’, confessava ela envaidecida ao narrar o fatídico.

Comigo não. Comigo foi diferente. Acordei naquela manhã de domingo decidida a por em prática o ensinamento, a imundície não está em matar, em ceifar a vida do outro, a imundície está em deixar-se dominar pelo ódio. Eu amava o filho da mãe e de tanto amor decidi: o último suspiro seria de alívio, de excitação. Passei a manhã inteira entretida na premeditação de cada segundo, nas possibilidades de descoberta, nos limites das dores, no sorriso que ele daria ou na lágrima que eu veria escorrer. Pensei não só nos detalhes instrumentais, na arma do crime, no modo de usá-la ou mesmo no local mais adequado para guardá-la nos momentos antes da execução, pensei, sobretudo, no lado emocional daquele instante que se aproximava mais e mais.

À noite, quando o recebi em minha casa já estava com cada passo (dele e meu) traçado. Já havia escolhido a música, já havia posto a mesa do jantar. Tudo transcorreu como pensei, conversa agradável e muita paquera nos nossos olhares. Pela madrugada, depois que deitamos juntos sobre os lençóis de seda de minha cama, entre suor e saliva, entre êxtase e alívio, chegara o momento. O meu abraço apertado controlava o tremor do corpo dele, enquanto eu pegava de um jeito discreto a arma guardada propositalmente dentro do travesseiro. O orgasmo dele foi aliviado com um estampido abafado. Debruçou-se para trás. Morreu feliz.

A nossa aliança estava feita, apenas por formalidade coloquei um anel no dedo anelar dele e outro no meu. Acendi um cigarro, depois outro, depois outro, e fiquei ali sentada no chão do quarto esperando a lua despedir-se do céu enquanto eu, na companhia suave e silenciosa do meu homem, pude sentir o pensamento vazio e uma paz imensurável.  Disseram que eu enlouqueci, me divirto com essa concepção sobre a minha lucidez. Não havia ódio, sequer raiva, havia amor, sublime e pleno amor. Recuso-me todas as manhãs de narrar as sequências de fatos e os motivos do meu ato. Aquelas putas  não iriam entender.”



[1] Transcrição nº** do áudio de uma entrevista concedida pela maritricida ***, no ano de 20**,  em tratamento no manicômio judiciário  ***.


(Yvanna Oliveira)